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03/06/2010 - Jornal do Commercio - Especial

EFICIÊNCIA energética norteia projetos Eficiência energética. Esse é o conceito que está norteando as novas edificações na cidade do Recife. Para diminuir os custos de moradia – ao mesmo tempo em que são adotadas práticas de sustentabilidade ambiental –, as construtoras estão apostando em tecnologia de ponta. O resultado imediato é um golpe certeiro nas contas da Celpe e da Compesa.

No edifício Porto dos Corais, em Piedade, todos os moradores desfrutam de água aquecida nos banheiros. A custo zero. O sistema de aproveitamento da energia solar funciona o ano todo, seja no inverno ou no verão. A estrutura, formada por placas coletoras e tubos de cobre, armazena água quente, de forma que o chuveiro – que ao lado do ar-condicionado lidera o ranking de vilões da conta de energia elétrica –, tem água aquecida até de madrugada. Nesse sistema, a utilização de energia da Celpe é de 5%. “Para quem compra uma unidade em um edifício que dispõe dessa tecnologia, o investimento é recuperado em 18 meses”, explica Lucian Fragoso, engenheiro da Conic Souza Filho.

Em outras obras da mesma construtora, o aquecimento da água é realizado através de geradora a Gás Liquefeito de Petróleo (GLP). A vantagem desse tipo de aquecedor é que ele produz água quente instantânea e sem limites. Só funciona quando há necessidade, garantindo maior economia da energia. A Copergás calcula que se gasta, em média, R$ 0,09 por banho de 10 a 15 minutos com aquecedor a gás canalizado, enquanto no chuveiro elétrico comum, o valor por banho sobe para R$ 0,26.

O empresarial Isaac Newton, na Ilha do Leite, é um exemplo de como a interligação de ações pode resultar em economia para todos. O edifício foi construído com uma envoltória de alumínio composto, material considerado um excelente isolante térmico. Entre esta superfície e a estrutura do edifício há um colchão de ar. “Isso resulta numa diminuição do calor que penetra as paredes e aquece os ambientes, diminuindo a necessidade do uso do ar-condicionado”, revela o engenheiro e supervisor de obras da Rio Ave, Leonardo Palacio.

Os vidros das janelas do Isaac Newton também possuem propriedades diferentes: 52% de transmissão de luz e 42% de fator solar. “Com isso, temos um equilíbrio entre as oportunidades de usar iluminação natural ao longo do dia e a de desligar os aparelhos de ar-condicionado”, explica.

Até o que pinga dos aparelhos de ar-condicionado é reaproveitado. Juntamente com a água de chuvas que são armazenadas em dois reservatórios para aguar os jardins e alimentar a o espelho d´água da entrada do empresarial, os pingos servem para fazer o resfriamento do sistema central de ar-condicionados. “Isso também diminui o contato dos aparelhos com o ambiente, aumentando sua vida útil”. A economia de energia desse sistema é de 23,5% em relação ao convencional.

A simples individualização dos medidores de água, estratégia adotada pela Hermano Nascimento em três novas obras residenciais em Boa Viagem, também gera economia. “O consumo das famílias fica mais consciente. Se a conta é coletiva sempre fica aquela sensação de que o gasto a mais será diluído para todos os condôminos”, explica Elivaldo Couto, engenheiro da construtora.

Elevadores encurtam distância e conta de luz

Mais velozes, mais seguros e mais econômicos. Os elevadores modernos usam tecnologia que permite o aproveitamento de energia antes desperdiçadas pelo sistema. Em relação aos equipamentos antigos, a economia gerada pelos novos modelos pode chegar a 40%.

Através do sistema regenerativo, a ThyssenKrupp faz com que entre 25% e 35% da energia devolvida pelo elevador durante o seu funcionamento seja reaproveitada pela rede elétrica interna da edificação.“No sistema convencional, parte da energia elétrica devolvida é dissipada num banco de resistores e transformada em calor”, explica o diretor comercial da ThyssenKrupp Elevadores.
Nas novas cabines, a iluminação Led em substituição da alógena gera uma economia energética de 15% a 20%.

Os elevadores modernos também não possuem engrenagem, nem utilizam óleos lubrificantes. “Mais compactas, as máquinas pesam cerca de 180 quilos. Elas operam a partir de um inversor que controla com precisão o movimento e possuem um rendimento superior devido ao motor com ímãs permanentes”.
Para os empresariais, que demandam equipamentos com velocidade superior a 3 metros por segundo, os elevadores-inteligentes geram uma economia de no mínimo 30%.

O sistema convencional distribui as chamadas em dois tempos. Primeiro, o passageiro informa qual é a sua posição de origem ao chamar o elevador. Só depois, já dentro da cabine, ele informa o seu destino. “Nos elevadores-inteligentes, o passageiro informa o seu andar de destino antes de entrar na cabine. O sistema então reúne todas as pessoas com destino igual num mesmo elevador. Isso diminui a quantidade de partida das máquinas. Todo corpo para sair do repouso consome bastante energia”, explica Luís Mundim, supervisor de marketing da Atlas Schindler.

Empresariais como os do complexo da Rio Ave, na Ilha do Leite, e o JCPM Trade Center, no Pina, já utilizam o sistema de antecipação de chamadas.

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