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26/06/2010 - Dario de Pernambuco - Economia

Prédios no lugar dos restaurantes - Mercado Imobiliário // Empreendimentos gastronômicos na Zona Sul estão mudando de endereço ou encerrando atividades

Não é apenas a paisagem que muda com o avanço imobiliário em Boa Viagem. O endereço dos restaurantes também. Boa parte dos empreendimentos gastronômicos da Zona Sul está sendo ou já foi tirada de seus pontos para dar lugar à construção de edifícios residenciais. Alguns reabrem em novos endereços do bairro. Outros acabam fechando as portas. As novas "vítimas" serão os restaurantes Parraxaxá e Armazém Guimarães. O terreno onde funcionam foi vendido para uma construtora e a previsão é que fechem as portas até o início do próximo ano.

Os restaurantes ficam à Rua Baltazar Pereira, na altura do Primeiro Jardim de Boa Viagem. Ambos estão no entorno da Praça Jules Rimet, que já reuniu um pequeno polo gastronômico anos atrás. Por ali, já passaram a Picanha do Tio Dadá, a Uisqueira da Praça, o Iguana Mexican Bar e a boate People Sound. Os bares e restaurantes que funcionavam no lado da Rua Pedro Américo Galvão foram todos fechados. No lugar, vários edifícios foram levantados.

A vida gastronômica da praça resistia na Baltazar Pereira, com o Camarada, o Armazém Guimarães e o Parraxaxá. Dentro de alguns meses, restará apenas o Camarada. Segundo a gerente do Armazém Guimarães, Valéria Sabrá, o terreno onde funcionam os dois restaurantes pertencia ao mesmo dono, que resolveu vendê-lo para a Rio Ave. "Fomos comunicados da venda há um ano e meio. Até agora não conseguimos encontrar um outro lugar no mesmo bairro para reabrir a nossa casa. A maior parte dos terrenos disponíveis já pertence a construtoras ou estão muito caros", relata ela. O Armazém Guimarães foi aberto há seis anos no local. Já o Parraxaxá estava há 11 anos no endereço. O dono, Bruno Catão, também está negociando um ponto na Zona Sul.

"Está cada vez mais difícil ficar em Boa Viagem. É mais interessante vender o terreno para as construtoras do que alugar para um restaurante", comenta Nuncio Natrielli, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Pernambuco (Abrasel-PE). "O coeficiente de troca na Avenida Boa Viagem, por exemplo, é de 50%. Ou seja, se um prédio tem 40 andares, vinte deles é para quem vende o terreno", conta Wlademir Gomes Filho, dono do Bargaço, que há dois anos saiu da Avenida Boa Viagem e mudou-se para o Pina, para que um edifício fosse construído no antigo endereço.

"Isso que está acontecendo com os restaurantes, já aconteceu com alguns hotéis que funcionavam na orla. Sobrarão alguns poucos restaurantes na Domingos Ferreira e na Conselheiro. Mas a tendência é que a maioria migre para o Pina. Quem funcionar na Avenida Boa Viagem será exceção", prevê Gomes Filho.

O resultado desse cenário é que o Recife se tornou a capital com a orla mais morta do Nordeste. "Cidades menores como Maceió e Sergipe têm uma infinidade de bares e restaurantes na praia urbana. Você passa pela orla de Boa Viagem à noite e não há quase nada. Restam algumas poucas opções no Segundo Jardim e por pouco tempo. Pois a tendência é que fechem mesmo. Acho que isso é muito prejudicial para o nosso turismo", comenta Natrielli.

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